Livro de Ouro

“Que este Livro ilumine os passos dos ilustres diretores do Glorioso Centro de Produção e Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Nem que para tanto, tenhamos que pôr fogo nele!” (08/05/86)

É com este texto, escrito em sua primeira página, que começa o Livro de Ouro do CAM. Porém você pode se perguntar: que diabos é um Livro de Ouro e para que isso serve? Bem, para falar bem a verdade eu não sei exatamente o que é e para que serve um Livro de Ouro (talvez se eu conhecesse alguém de alguma gestão da AEM (Associação de Engenharia Mecânica) até soubesse). Entretanto, eu sei para que serve e o que significa o Livro de Ouro do CAM. Este livro meus caros amigos é nada mais nada menos que toda história do CAM e das entidades acadêmicas que representaram e congregaram os alunos de Engenharia Mecânica desta Escola.

Como o Livro está organizado?

Bem, a melhor palavra seria desorganizado.Isso porque em seu início, o Livro é um simples Livro de Visitas de uma semana (a primeira) de arte organizada pelo CPM. Aqui o que se lê, são as impressões dos visitantes (na sua maioria politécnicos) sobre a exposição e elogios a diretoria do centrinho pela iniciativa. Em seguida, o Livro começou a ser utilizado como Livro de Atas do CPM, isso durou por volta de um ano. Entre os registros das pautas e das reuniões e, pode-se observar um pouco do dia a dia do centrinho no ano de 84. Na última parte utilizada pelo CPM, o Livro é usado como registro de caixa até o ano em que ele deixa de existir.

A partir daí, o Livro passa a ganhar uma importância especial. Com a fundação do CAM em 87, a partir de maio de 88, temos a primeira entrada no Livro de Ouro de sua melhor fase que se extende até os dias de hoje, onde os diretores do CAM deixam textos descrevendo algum episódio importante para o CAM, ou mesmo para despedidas.

Qual a importância de se manter o Livro de Ouro?

O Livro de Ouro é importante porque bem ou mal ele conserva em si a história da atuação estudantil do estudante de Engenharia Mecânica nestes últimos 15 anos. Cada entrada, desde aquelas no começo do Livro descrevendo a semana de arte ou então os balancetes que encerram a participação do CPM, traz consigo o pensamento do Politécnico de então. E é como disse aquele filósofo (ou será historiador?) pobre do povo que não conserva consigo a sua memória.

Sendo assim, leia, conheça e se torne um pouco mais parte desta escola que se por um lado nos massacra, também em muito nos orgulha.

O livro de ouro começa aqui. 


Primeira realização da nossa gestão: trocamos o cadeado da porta principal, que estava quebrado. Logo mais faremos a nossa primeira chopada  Espero que 60 litros sejam suficientes para todo mundo ( se houver todo mundo!).
O centrinho continua povoado pelos veteranos e pelos antigos diretores. Não sei se conseguiremos fazer alguma coisa sem a ajuda deles.
O CAM realmente nos toma algum tempo, mas com organização e divisão de tarefas vai dar certo.
A antiga diretoria nos legou, além da experiência, 70 mil cruzados (dos quais gostamos 11 c/ o chopp) e uma HP-11c ganha no último integra-poli (que vamos rifar.).
O campeonato de truco parece que vai ser um sucesso. Estamos cheios de idéias e espero que aos poucos eles se concretizem. No meio de uma chapa gigantesca (quase todos os 1º anistas e não bitolados!) tem muita gente boa e afim de tocar o centrinho pra frente. Tenho certeza que farei muitos amigos de verdade no meio dessa confusão.(Além dos que já fiz).
Tem muita coisa a ser feita, e com certeza não sairemos do zero, graças a todo o pessoal do 2 º ano. Sem a ajuda deles, talvez nós me estivéssemos aqui. Todo o que aconteceu foi graças ao incentivo deles, talvez nós nem estivéssemos aqui. (tudo o que aconteceu foi graças ao isentivo deles.)

VIVA A GESTÃO ANTERIOR!!!
McGiver


17 de maio de 1988 !!
Parece que a última vez que escreveram aqui foi em 86, e achei que não havia razão para parar com o Livro de Ouro, mesmo que o centro tenha mudado, nós da mecânica temos agora nosso próprio centro, o CAM (Centro Acadêmico da Mecânica. Esta vem sendo uma gestão diferente pois em nossos trabalhos estão a fundação do Centro, criar seus estatutos e uns 3000 reconhecimentos de firma e autenticações.
Conseguimos ainda juntar neste centro, pessoas interessadas e muito esquisitas! Temos um adorador do Vietnam, outro que é capaz de escrever um resumo de 1200 páginas sobre ö que eu tomei no café!?”, temos um trio de meninas (que são 75% das mulheres do nosso ano), dois viciados em carros, um viciado em armas (o mesmo do Vietnam), quatro viciados em computadores, e todos viciados em muié! (com exclusão do trio é claro!)
Bom, só para terminar, gostaria de deixar registrado o orgulho que eu tenho de fazer parte deste centro, pois nestes primeiros meses ele foi o centro mais ativo e agitado da Poli! Forma Choppadas, pingadas, pinturas no prédio, etc…\

CAVERNA


São Paulo, 17 de maio de 1988
Colegas,
Esta é a primeira vez que escrevo neste livro e estou muito honrado por tal (sem brinca!!!). Sou o Coordenador de Esportes da atual diretoria (chapa CAM’88) e o pessoal daqui é um barato. O presidente é Eduardo “Caverna” Blücher, que segura todas as barras e é o nosso irmão-um pouquinho-mais-velho; o coordenador de Computação é João “Vietnam” Rotta Neto, também conhecido por “Johnny”ou “Napalm”; o Kei “Gato” Mizumoto Kato é o tesoureiro, o Roberto T. Teixeira Machado e o Jeon Felipe Mellé ficam cuidando da imprensa. Num processo de equiparação das nossas femininas (a multidão de garotas da POLI gostou), Daniela Siauls é nossa coordenadora de Ensino. Temos também Adrian “Nylon”de Wilde na coordenadoria Social. (e eu ???) *
Tamos a fim de trabalhar e tornar isto aqui mais agradável.
(FICOU UMA DROGA MAS VOU PARAR – NÃO TÔ COM PACIÊNCIA DE CONSERTAR).
Salvador “Muzza” Chiappetta Neto
* Oi, Salvador,
Você me conhece? Pelo jeito não. A minha cor é preta. Será que é por isso que eu não apareci entre as pessoas que você citou. Francamente, que decepção.

Wolynec, o “black” the
Sheffield


Eduardo BADERNA Blücher:
Não gostei nem um pouco de você não ter me incluído no item “gosta de arma”, ouviu seu “gereba”? Gosto mais e, mais importante, atiro muito melhor . Sem mais no momento, subscrevo-me.

Kei Mizumoto Kato.
Tesoureiro CAM’88


São Paulo, 19 de maio de 1988.
Caros amigos, colegas, diretores do CAM e mulheres gostosas de todo o Brasil (e do resto do mundo também).
Estou muito contente por estar no CAM, apesar de ser uma pessoa insignificante. Meu cargo é como um jogo de pingue-pongue: já fui ajudante de porra nenhuma, Secretário da Junta Eleitoral de novembro de 1987 (sendo que fui “nomeado”para tal em fevereiro de 1988), Secretário da Presidência Interina (que nunca existiu), Coordenador de Ensino e atual Coordenador Social (sendo que em nenhum dos casos eu tomei alguma decisão em quem iria para o cargo). Além disso, existem algumas pessoas que nem sabem da minha existência. Acreditam que minha cor seja mesma dessa caneta. Apesar disso, eu gosto muito de vocês.

Wolynec
Coord. Social – CAM’88


Depois de 6 anos visitei o CAM antigo CPM ! (que vergonha!..)

Zerbini (1/06/88)


Hoje é o último dia da nossa gestão. Eu não assumi a Diretoria Social (junto com Wolynec) no início da gestão, mas sim no começo de abril,. Mesmo assim deu pra se divertir um bocado, junto desse pessoal MA-RA-VI-LHO-SO. Mas aprendemos uma coisa: sem cronograma não dá. O negócio é programar tudo que será feito durante a gestão e aí sim mandar bala! Outra cois: O CAM é muito divertido, mas deveras cansativo. A diretoria era assim:
Chefinho – Eduardo “Caverma” Blücher
Esportes – Salvador “Muzza” Chiappetta
$ – Key Mixumoto Kato
Computação – João “Johnny” Rotta Neto
Imprensa – Jean “Melão” Felipe Mellé
Ensino – as três meninas: Daniela Siaulys, Eliane Collares, Denise Garcia Forte
Social – Marcos Wolynec “Bebê Johnson’s” e Adrian “Nylon”César De Wilde (Adrian César de Wilde por enquanto diretor social, daqui a pouco, apenas mais um politécnico medíocre).

AUREA MEDIOCRITATIS! 05.08.1988


São Paulo 12 de agosto de 1988
Aqui sou eu de novo ! (Caverna)
Apesar de já ter acabado a minha gestão a Tchurma me preparou uma festa surpresa, teve bolo, corneta e capeuzinho. Ganhei uma caneta, bem, na verdade, foram duas, só que uma delas era explosiva!! Puta Susto!!!!
A festa correu normalmente….
Dos presentes que eu ganhei, tive duas propostas indecorosas que ñ vou baixar meu nível para citá-las (mas eu aceitei!!)
Hoje me despeço do CAM
Foi, bom, mau, duro, fácil, divertido (parece bixo grilo) mas o CAM foi uma lição de vida!!
Adeus CAM

CAVERNA
12/08/1988


São Paulo, 12 de Agosto de 1988
Nossa gestão terminou. Francamente, não fizemos uma boa administração. Não nos culpe, porém. We did our best.
Eu fazia outra imagem da Poli, antes de me candidatar a uma e suas disputadas vagas. Pensava que teria boas aulas, com bons professores e tudo mais, mas nada disso é verdade (ao menos hoje-espero que algum dia isto mude…). Para complicar ainda mais, sou um estudante de engenharia que odeia Matemática. Logo que ingressei na Mec, senti a barra.
Por isso ingressei no CAM (deu pra notar que não escrevo bem, né?). Tencionava tornar a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo um pouquinho mais humana, um pouco mais amiga (sim, é isso mesmo! Que pretensão!). Aprovado que fui no vestibular 1987, já no primeiro semestre deste ano comecei a tomar contato com o mundo do movimento estudantil universitário. À esta época os alunos de Produção e Mecânica congraçavam-se no CPM. O conhecimento humano aumenta dia e dia e isto reflete-se na educação. Com o incremento da Engenharia Mecânica e da Engenharia de Produção, os cursos foram se distanciando e, com eles, os alunos. Então, em maio de 1987 o CPM se dissolveu. Os alunos da Produção que participavam da diretoria assumiram a chefia do recém-formado CAEP (Centro Acadêmico de Engenharia de Produção). Em novembro, os alunos do Departamento interessados em participar do centrinho se uniram e montaram a chapa CAM’88, para gerir o CAM – CENTRO ACADÊMICO DO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. No papel, cerca de vinte pessoas comporiam a chapa, mas ela na verdade era:
Presidente: Edgard Blücher;
Tesoureiro: Kei Mizumoto Kato;
Coord. de Imprensa: Tadeu Teixeira Machado;
Coord. Social: Marcos Wolynec;
Coord. de Computação: João Rotta Neto;
Coord. de Ensino: Antonio Cezar Orozco; e por último,
Coord. de Esportes: Salvador Chiappetta Neto.
Contávamos ainda com o apoio de várias pessoas, como a Eliane, a Daniela, a Denise e mais gente (não vou citar nome por nome – são poucas pessoas, pois tenho mania de enumerar as coisas (complexo de superioridade?) e, como pode ser notado seis páginas atrás, esqueci-me de um colega, que muito prezo e estimo e que por tal ficou putíssimo comigo).


São Paulo, 15 de agosto de 1988.
Apesar de ñ ser coordenador de mais nada, está sendo difícil distanciar-me do CAM. Mesmo agora com a nova gestão, eu ajudei a editar “O Corvo #03″, e de vez em quando eu entro na diretoria e fico bundando (que nem hoje).
Não sei se vou continuar a dar atenção que dava antes ao CAM, mas eu sei que vou me preocupar muito + com a minha vida que c/ o CAM. O que faltou na minha gestão não foi preocupação, mas ação.
Bom, sei lá, mil coisas.

Wolynec

P.S.: Obrigado, Salvador.